sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O QUE REALMENTE IMPORTA?



Mias um capítulo de tom obscuro findou-se no espesso livro da política brasileira. Essa política estranha, inconsequente e inadvertida. Claro que o país apresenta-se "dividido". Há os que gritam contra e os que que clamam a favor. E eu nem falo dos personagens em si, mas apenas dos fatos. Porque pelo que percebo, os personagens que meramente estão aí hoje,  poderiam ser outros sem que a coisa mudasse consideravelmente. Na agora histórica data de 31 de Agosto de 2016  concluiu-se o processo de impeachment contra a (agora) ex presidente da república, Dilma Rousseff. Condenada por "crime de responsabilidade fiscal"; ou num termo mais popular as "pedaladas fiscais". Em qualquer dos termos o motivo é confuso; mas estamos falando de política, e o que não é confuso nesse país quando falamos disso? O agora presidente Michel Temer teve sua mão erguida na campanha de Dilma em sua candidatura à presidência, quando ela bradava no famoso tom teatral político que tratava-se de um homem de confiança, que estaria à altura para substituí-la. Ora... Não está mais diante das atuais circunstâncias? Não. Ele a "traiu". Ora... E por que ele lhe inspirava confiança mesmo? Não. Michel Temer não inspirava nada, assim como não tinha nada a ver com o plano de governo da então presidente da república. O que os uniu em campanha e no mandato durante esse tempo foi simplesmente uma negociação política, como outras milhares que acontecem. 

Geralmente essas negociações não levam em conta a proximidade "dos planos" de um e outro para o crescimento do Brasil. Muito provável que esse dito crescimento também não seja levado em conta. O clássico jogo de interesses pessoais é o que que acasala desastres políticos, assim como é o que os desfaz também.
Dois fatos nisso tudo não podem ser negados: Dilma foi eleita presidente por voto direto, nas urnas, pela grande maioria dos brasileiros. Já Temer, evidencia a especialidade do PMDB e aliados em "fincar" presidentes em nossa república: é o terceiro, sendo antecedido por Itamar Franco (que assumiu em 1992) e José Sarney (1985). Após finalizado o processo da ex presidente Dilma, senadores confirmaram diante de microfones que não houve "crime de responsabilidade fiscal", o que não é novidade pra quem se aprofundar um pouquinho na questão. O que tirou Dilma do poder foi a insatisfação do senado e do congresso pela governabilidade da então presidenta. Ou seja, "estavam insatisfeitos com ela". quanto aos receios sobre sua volta ao poder soa no mínimo hipócrita, visto que o que está aí (assim como o que está porvir) não me parece melhor do que era. 

Não defendo o mandato da presidente Dilma no que diz respeito ao seu governo, e mais uma vez friso: não sou filiado ou simpatizante de partido algum. O que defendo é o direito que ela conquistou nas urnas, e que foi arrancado covardemente de suas mãos. Numa política medíocre e hipócrita onde se tem tanto "blá blá blá" sobre o direito e a ascensão das mulheres, vemos que isso não passa de "selos" que são utilizados de acordo com a conveniência. As senhoras senadoras foram contra Dilma. talvez pelo menos pra isso essa manobra toda sirva: não existe a conquista ou o direito da mulher, e sim o que é melhor pra mim (senadora ou senador) naquele momento. Talvez ajude aqueles que levaram o golpe do impeachment a sério também a repensar essa briga ridícula de gêneros ou de que seja: não me interessa se ela é mulher, se é negra, se é nordestina, se é o contrário de tudo isso. Não creio que o país deva ser governado por um homem ou por uma mulher. Me interessa sim que ela tem origem nesse país, que tem toda uma história política ativa nesse país, desde que era uma estudante. e que ela batalhou o seu espaço na política e o conquistou. E finalmente, que ela alcançou a presidência da república (por duas vezes seguidas) com voto direto do povo que a elegeu, e que não foi questionado se ela deveria sair. Afinal, até hoje os protestos  contra este golpe tomam conta das ruas. Por isso, me alio ao "fora Temer", e contrario o absurdo que estão querendo usar como desculpa: ele também foi eleito pelo povo. Não, todos sabemos que ele é o resultado de uma aliança política, como o são todos os vices, não fruto de voto de interesse do povos vices. 

Mas o que importa nisso tudo afinal? O que importa é o imediatismo, como sempre, o agora. E o pior dos pensamentos que um representante do povo (seja em qual escala for) pode ter: o "eu". Infelizmente nossa política, na maioria esmagadora dos parlamentares que a representam, se resume a negociar interesses pessoais, a se valer da máquina pública para enriquecer a curto prazo. Os exemplos disso se multiplicam a cada dia. Graças a Deus, sou teimoso o suficiente para continuar acreditando num novo horizonte, em brechas dentre toda essa confusão onde aqueles que realmente levam a sério a sua posição possam aos poucos chamar a atenção para as mudanças que esse país precisa, e sei que acontecerão, independendo de quando. Enquanto isso, nesse exato momento (e de olhos bem abertos) digo boa sorte Michel Temer, boa sorte para nós, boa sorte Brasil. Vamos precisar.

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