sexta-feira, 18 de julho de 2014

A MEMBRANA NUCLEAR


EM DEZEMBRO de 1978 Richard Donner encantou o mundo com a frase Você vai acreditar que o homem pode voar. Chegava aos cinemas o tão esperado "Superman - o filme", provavelmente mais conhecido como "Superman I". Era o primeiro longa metragem de uma série de quatro filmes. Aqui, o personagem imortalizou o ator; Christopher Reeve ficou conhecido no mundo todo ao vestir o uniforme azul com capa e botas vermelhas do maior herói dos quadrinhos já criado. Superman já era parte do folclore americano. Era extremamente original, e as pessoas o amaram. Não, não foram só os americanos, foi o mundo todo. Sete anos mais tarde, Wood Allen expandiu a dimensão da vida em "A Rosa Púrpura do Cairo", outro dos maiores clássicos do Cinema americano, e mundial. A bela sacada estava no coração da trama, quando o personagem de um filme de cinema literalmente sai da tela, a fim de viver no mundo real uma vida real. O filme (do filme) para. Os outros personagens questionam, pois também querem sair da tela, e um reboliço dinâmico se faz, com muito romance e bom humor. Antes, em 1981, Stieven Sipielberg propusera algo relativamente novo em "E.T. O Extraterrestre". 



São inúmeros os clássicos do gênero fictício, e tudo isso só aumentou com a virada do século. Dos livros para as telas saiu "O Senhor dos Anéis", uma trilogia  de personagens que viviam num outro mundo; a saga de Harry Potter, misturando nosso mundo com o dos personagens brilhantemente criados por J.K.Rowling; Ainda passamos pela trilogia Matrix, que fechou com chave de ouro a década de 1990, isso sem falar nos inúmeros desenhos animados que propõem a mesma coisa. Mas que mesma coisa? Afinal, o que todos esses títulos tem em comum? Seria, no mínimo curioso, dizer que o mesmo que "O Magico de Oz", "Alice no País das Maravilhas". 



E falando de Brasil, podemos ainda acrescentar os folclóricos personagens de Monteiro Lobato, ou o "Castelo Rá-Tim-Bum". Ou ainda, permanecermos lá fora e lembrarmos do incrível Mary Poppins, de 1964 - o pai da animação, Walt Disney sabia realmente o que fazia quando insistiu por mais de 20 anos que a autora dos livros, Pamela Lyndon Travers, lhe concedesse os direitos para o filme. 



Numa observação mais voltada para o fundo de todas essas histórias, chegamos sem dificuldades à conclusão de que elas propõem uma realidade diferente da nossa. Mais que isso: levam os que se propõem a conhecê-las para o mundo que elas apresentam. A humanidade precisa de coisas que as façam acreditarem numa realidade nova, que faça com que se creia em possibilidades. Coisas que construam essa realidade nova, ou que as descubram – pois ela há muito, bete em nossa porta. E isso, por uma questão de atração. Pois, ainda que num clamor interno, mudo, não visto ou compreendido, a humanidade desespera-se por uma mudança súbita; por algo que dê o pensamento de que tudo o que vivemos é realmente efêmero, e que a justiça e a verdade são axiomas. As pessoas querem crer, e creem sem o saberem, porque os caminhos traçados até aqui revelam isso. E aqui estagiamos; num mundo cheio de armadilhas que criamos – mutação das oportunidades de evolução que recebemos.

Por isso, se por um lado se encantam ao verem aquele homem de aço, voando com sua capa vermelha e fazendo justiça, frustram-se em seguida, quando se lembram de que tudo aquilo é mera ficção. A justiça real parece ficção, a ordem... Deus. Porque uma força soberana que a tudo vê, não parece
se expressar num mundo como o nosso, onde o jogo de interesses domina cada um de nós; e os mais fracos sustentam os mais fortes – que deles sobrevivem. Questão tão antigas são retomadas a cada choque novo: por que é assim? O medo da morte, a certeza gravada e inconsciente da continuidade da vida póstuma, e a certeza incrédula dela. As pessoas aceitam muito bem a proposta de uma realidade nova vinda das artes, mas guardam certa expectativa de que essa ideia tenha algo de real em sua base, para que se consiga algo importante numa ideia hoje: sustentação. Daí a importância e a responsabilidade do mundo das artes como contribuição na real evolução do nosso orbe e da humanidade.
As ficções são maravilhosas! E aí está a questão: maravilhosas demais. Mas quando colocamos isso em questão, não é a falta de veracidade da historia em si; pois sabemos que, por mais histórias que conheçamos o número das quais ignoramos será sempre maior. Isso torna mais fácil aprender com o que lemos, ouvimos ou assistimos. Muitas vezes, essas histórias podem ser reais de tal forma, que até o próprio autor ignora. Não é essa falta de veracidade que frustra o público que as recebe (pois sabem que trata-se de uma suposta ficção), mas sim as possibilidades reais de algo parecido acontecer. Em outras palavras, a sustentação. O público sente a necessidade de crer nas possibilidades da história, de se identificar com atitudes, de se encontrar vez e outra no lugar de um ou outro personagem. E engana-se quem pensa que apenas o publico infantil tem essa necessidade; os adultos também a tem, embora possam não admitir. A diferença é que a criança não se frustra quando criança, o adulto sim – aquela antiga criança. Será que deve mesmo ser o caminho absoluto das artes? Aprender criança e reaprender adulto... Ou será que já a possibilidade de uma continuidade mais visível nesse aprendizado. Geralmente quando crescemos rimos daquilo que gostávamos quando crianças. Rimos dos gnomos, dos duendes, do Papai Noel e dos contos de fadas.
Mas o que provoca essa sede tão misteriosa da humanidade? Desconfio que, a certeza subconsciente de alguma continuidade; o fato de não conhecermos tudo. Aliás, diante do que ainda está por conhecer, é bem provável que o nosso nível de conhecimento diante do universo esteja em algo próximo de... Nada. Difícil imaginarmos algo além daquilo que conhecemos e entendemos? Talvez nem tanto... quando aprendemos que conhecemos muito pouco; e, o mais importante, absolutamente... Não somos contemporâneos da Criação. Após tantos ismos que conhecemos, estamos oficialmente falando há mais de noventa anos da Escola do Modernismo. E se lá nas primeiras décadas conhecemos o doce dessa fruta, nas últimas também descobrimos o amargo em muito do néctar que mina de sua textura. A impressão que fica é de que hoje tudo pode e de qualquer jeito. Talvez seja mais que isso, talvez não seja tanto. Mas acho que estas escolas de arte porque passamos apenas vão atestando a evolução dos seres que a proclamam, e não o contrário.
E é por isso que me arrisco a dizer.

ESPIRITUALISMO é o ismo que se faz urgente, e que será não só respeitado, mas estrategicamente traçado nas obras que podem compor esse conceito. Espiritualismo. Há milhas e milhas de distancia da Religião; Espiritualismo como conceito, como fundo evolutivo em tudo o que pensamos, inclusive quando pensamos materialmente. E talvez se configure aí um trampolim nunca imaginado para o mundo das artes, inclusive para a chamada Sétima Arte. 

Embora as vozes oficiais ainda digam quem sabe ou talvez, é possível entender os flagelos e glórias do mundo, assim como as raças, civilizações, o progresso intelectual e moral dos homens, e consequentemente a evolução do planeta através da teoria da Reencarnação - de fácil compreensão na prática. Essa tese, longe de carregar alguma bandeira exclusiva (embora a ligamos direto ao Espiritismo, ao Budismo, aos Celtas etc), é antes um assunto amplamente científico, que tem resistindo ao caráter de mudanças da humanidade por milênios. Desde onde os registros da História da Humanidade alcança, povos praticavam essa ideia e nela se apoiavam para base de sua vida presente, assim como o alicerce das futuras. No fundo, sabemos que não estamos sozinhos, que somos influenciados e influenciamos bem mais que pensamos; que crescemos como verdadeiras antenas atraindo as energias com as quais nos afinamos. Podemos ajuntar aí ainda, que essa energia é responsável pela densidade do planeta, pelo ar, pela atração (positiva ou negativa) que nos rodeia, compondo assim a nossa própria vida em coautoria conosco. É, talvez para os leigos em espiritualidade, inclusive amantes das artes e da vida, tudo isso possa parecer... Fantástico demais. Ou ainda, fictício. Nesse caso, não seria interessante produzirmos ficção inspirada nas possibilidades dessa realidade, moldando assim esses trabalhos com uma base que tornasse esses trabalhos no mínimo instigantes?
Pode ser tudo tão diferente do que vemos, e tão longe do que enxergamos! É triste ver perceber que os homens acreditam-se contemporâneos da obra divina. Os homens entendem o processo de matematizar letras e poetizar números; tem concepção do nascer, viver e morrer,  assim como de entrar e sair de qualquer assunto, qualquer coisa, lugar ou visão que compete aos limites escassos do seu entendimento. Hoje, com "todo o planeta desvendado", ri-se das épocas remotas, do enfileirado de séculos que cabem em seus medíocres registros. Simplificaram linguagens, arredondaram filosofias, estreitaram conceitos e desmataram trechos importantíssimos da vida. Se ladearam de atalhos, trouxeram tudo a uma simples opinião pessoal; rebaixaram o que veem e o que não veem, o que ouvem e o que não ouvem... À simples compreensão que pôde até aqui desenvolver. Tudo parece girar em torno da silenciosa e pretensiosa máxima humana: somos o limite. E o que não conhecemos, apelidamos de "sobrenatural" ou "anormal", pois "não está na Natureza" se não podemos compreender. E daí, que tudo gira em torno de nós, e que o nosso mundo, a Terra, é o centro do universo - ironicamente como se acreditou em épocas remotas. 

Porém, o que não consegue entender (ou aceitar) no geral, é que esse mesmo ser humano, tão sedento por progresso, o desrespeita na maior acepção da palavra, quando crê que ele - homem - seja o ponto final. 

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