NO DIA 26 de Outubro de 2014, o
Brasil confirmou a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, pelo Partido dos
Trabalhadores. Não estou feliz nem triste. Feliz deve estar o PT e seus
aliados, e tristes o PSDB e os seus. Eu estou é apreensivo, e estaria se o
resultado tivesse sido outro. Porque voto, como todos, mas não sou partidário
nem nunca fui. Estou apreensivo como brasileiro. Porque os caminhos pelos quais
essa eleição se consumou foi o agravamento dos caminhos tensos e duvidosos que
as outras eleições já vinham tomando, desde a chamada redemocratização do país, no final dos anos oitenta. Palavra
perigosa essa, e na berlinda, não só pelo comportamento dos candidatos e demais
envolvidos nas eleições, como também – e principalmente – pelo comportamento do
eleitorado. Em nenhuma eleição até aqui, o povo manifestou tanto o seu
pensamento. E isso, evidentemente, por uma evolução natural nas formas de
comunicação ampliadas pelas novas tecnologias, coroadas nas redes sociais.
A pior derrota foi a do povo, e
não pelo resultado da eleição, mas sim com a prova que demos a nós mesmos de
que não estamos preparados para a democracia. O país que dizemos democrático
nunca testemunhou ao longo de sua história tamanha intolerância à diversidade
de pensamentos e ideias. Os partidários trataram as eleições como um campeonato
de futebol, manifestando sua indignação com a opinião alheia. Insultos, palavrões,
ofensas das mais incrédulas compuseram verdadeiros linchamentos virtuais, como
na antiga fogueira da inquisição – até ela se modernizou: agora é on line. Os ditos partidários não
suportam a ideia de outras pessoas ou outros grupos pensarem diferente, e
trazem tudo a um resumo ridículo de uma disputa entre torcidas, como se
estivéssemos falando de um insignificante Palmeiras x Corinthians. Lamentavelmente,
li muitas pessoas no facebook declarando que excluiriam do seu circulo de
amigos aqueles que votaram no candidato que ele/ela não votou. Não, meus
compatriotas, estamos falando de política, estamos falando de pessoas que
tomarão decisões por todos nós; decisões que influenciarão direto em nosso dia
a dia pelos próximos quatro anos. Acho que nem mesmo os candidatos se
utilizaram de tamanho ódio para com seus adversários. Será que isso é real?
Essas pessoas acreditam mesmo que quem ganhou só erra ou só acerta? Que quem
perdeu seria a salvação ou o pior desastre? Maniqueísmo? Ainda aguardamos um
messias político? Ainda clamamos por paternalismo? Cremos mesmo, de fato, que
alguém (que não seja nós mesmos) virá nos salvar? Salvar a nação?! Porque não sermos
mais racionais e esquecemos a questão partidária por um momento. Talvez
cheguemos à conclusão de que houve pontos positivos e negativos nos dois
governos (PSDB e PT), assim como muitos avanços naturais que aconteceriam
independente dos resultados de qualquer eleição. sempre?
Como o temos pelo futebol, por A Fazenda, pelas novelinhas da Globo? E de
repente, em dois meses aprendemos tudo o que aconteceu no cenário político
durante quatro anos! Agora os petistas vão aplaudir toda e qualquer atitude da
presidente, e dizer que o país está uma maravilha. Assim como os psdebistas
procurarão os erros e torcerão o nariz para qualquer coisa que funcione nesse
governo. Pergunto-me até quando isso...
A responsabilidade é de todos
nós, sobretudo na questão da educação, da tolerância à diversidade de opiniões.
Estão xingando os nordestinos, e outros dizem que não são os responsáveis
diretos pelo resultado das urnas. E se são? Então o eleitorado nordestino é
burro diante do eleitorado do sul porque sua opção foi outra? Então estamos
absolutamente certos, e o nosso pensamento é indiscutivelmente o melhor para
todos os brasileiros? Por isso não sou partidário, pois não aceito que vedem os
meus olhos e me façam apenas o clone dos outros que o são, dentro de um mesmo
grupo, seja petistas, psdbistas ou o raio que o parta. Penso o contrário, que
bom mesmo é a diversidade lá dentro. Por que a presidente deve ter a maioria no
congresso? Penso que ela deva ser uma verdadeira estrategista, exercitando a
capacidade de convergir pensamentos diversos, e com eles trabalhar a melhoria
do país. Até mesmo porque, se o presidente, seja ele quem for, tiver a maioria
no congresso é muito mais fácil de conduzir as coisas com obscuridade e
ilegalidade. Não, irmãos compatriotas, que eles sejam diversos lá dentro, e que
se vigiem; pois mesmo que os interesses direto sejam pessoais ou partidários,
mesmo que esses interesses não sejam os brasileiros, vai refletir a nós também,
pois estaremos protegidos de qualquer absolutismo lá dentro, o que (a meu ver)
só torna as cosias piores, já que os partidários não se apresentam como pessoas
que concluem seus pensamentos, mas sim leitores de velhas cartilhas instituídas
pelos partidos para o qual “torcem”. Não importa agora, nesse instante, quantas
pessoas deixaram de votar. O país que vota, o país que quer alguma coisa, o
país que se mobiliza deixou clara a sua vontade; ganhou quem o povo quis.
Talvez não quem eu ou você quisesse, mas está feito. E a nós, cabe respeitar e
apresentar o comprometimento de acompanhar o seu governo e torcer para que tudo
corra o melhor possível. Agora é uma coisa só. Por que tanto interesse na
Política em período eleitoral? Por que não
Não bastam as ruas da cidade
inundadas de malditos panfletos de propaganda partidária, os carros de som que
tiram a nossa paz desde as oito horas da manhã e as propagandas caras e
duvidosas transmitidas obrigatoriamente
em redes abertas? Não nos bastam as atitudes deles contra nossos interesses?
Também nós temos que ficar uns contra os outros? Não é o suficiente a
verdadeira palhaçada permitida pelo TSE na política de candidatura e na
condução das eleições, também temos que coroar a nossa ignorância política, já
demonstrada em nossa falta de cidadania, de responsabilidade social e de
respeito com os interesses em comum?
Sim, amigos. Estou apreensivo por
tudo isso. Mas estou consciente de que devo ser mais participativo na vida
administrativa do meu país, do meu estado, da minha cidade e da minha rua. Não
posso sujar o chão que piso e exigir respeito do meu administrador. Não posso
me achar ofendido quando os adversários políticos se atacam nos debates em rede
aberta, se ataco a opinião do meu compatriota, porque não é igual a minha. Quem
somos nós politicamente? Creio na necessidade da busca pela resposta dessa
pergunta. E não em caráter coletivo, mas sim individual. Porque não mudo o
país, mudo a mim mesmo, e dessa forma contribuo para uma mudança nacional.
Nossa atitude sempre importará mais que nossas ideias.
Peço a Deus muita Luz à
presidenta reeleita. Que ela possa ver com mais clareza o melhor para a
condução dos rumos do nosso país. E a parabenizo pela sua reeleição. Mas peço
mais, e muito mais, pelo povo brasileiro. Que possamos ver com mais nitidez a
consequência de cada ato político social, de cada palavra, de cada atitude. Que
possamos desenvolver mais a nossa capacidade de compreensão e tolerância.
Porque creio que um povo é como uma única pessoa: ele evolui primeiramente
moralmente, primeiramente em caráter. Aí sim, seus pensamentos e atitudes em
quaisquer assuntos são moldados nessa base, promovendo a evolução social. Não
somos produtos de um meio, ele é nosso produto, sempre. Nós o fazemos, e o
conduzimos da forma que mais convém às nossas prioridades. Quais são as suas?


