quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A NOSSA DERROTA NAS ELEIÇÕES

NO DIA 26 de Outubro de 2014, o Brasil confirmou a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, pelo Partido dos Trabalhadores. Não estou feliz nem triste. Feliz deve estar o PT e seus aliados, e tristes o PSDB e os seus. Eu estou é apreensivo, e estaria se o resultado tivesse sido outro. Porque voto, como todos, mas não sou partidário nem nunca fui. Estou apreensivo como brasileiro. Porque os caminhos pelos quais essa eleição se consumou foi o agravamento dos caminhos tensos e duvidosos que as outras eleições já vinham tomando, desde a chamada redemocratização do país, no final dos anos oitenta. Palavra perigosa essa, e na berlinda, não só pelo comportamento dos candidatos e demais envolvidos nas eleições, como também – e principalmente – pelo comportamento do eleitorado. Em nenhuma eleição até aqui, o povo manifestou tanto o seu pensamento. E isso, evidentemente, por uma evolução natural nas formas de comunicação ampliadas pelas novas tecnologias, coroadas nas redes sociais.
A pior derrota foi a do povo, e não pelo resultado da eleição, mas sim com a prova que demos a nós mesmos de que não estamos preparados para a democracia. O país que dizemos democrático nunca testemunhou ao longo de sua história tamanha intolerância à diversidade de pensamentos e ideias. Os partidários trataram as eleições como um campeonato de futebol, manifestando sua indignação com a opinião alheia. Insultos, palavrões, ofensas das mais incrédulas compuseram verdadeiros linchamentos virtuais, como na antiga fogueira da inquisição – até ela se modernizou: agora é on line. Os ditos partidários não suportam a ideia de outras pessoas ou outros grupos pensarem diferente, e trazem tudo a um resumo ridículo de uma disputa entre torcidas, como se estivéssemos falando de um insignificante Palmeiras x Corinthians. Lamentavelmente, li muitas pessoas no facebook declarando que excluiriam do seu circulo de amigos aqueles que votaram no candidato que ele/ela não votou. Não, meus compatriotas, estamos falando de política, estamos falando de pessoas que tomarão decisões por todos nós; decisões que influenciarão direto em nosso dia a dia pelos próximos quatro anos. Acho que nem mesmo os candidatos se utilizaram de tamanho ódio para com seus adversários. Será que isso é real? Essas pessoas acreditam mesmo que quem ganhou só erra ou só acerta? Que quem perdeu seria a salvação ou o pior desastre? Maniqueísmo? Ainda aguardamos um messias político? Ainda clamamos por paternalismo? Cremos mesmo, de fato, que alguém (que não seja nós mesmos) virá nos salvar? Salvar a nação?! Porque não sermos mais racionais e esquecemos a questão partidária por um momento. Talvez cheguemos à conclusão de que houve pontos positivos e negativos nos dois governos (PSDB e PT), assim como muitos avanços naturais que aconteceriam independente dos resultados de qualquer eleição. sempre? Como o temos pelo futebol, por A Fazenda, pelas novelinhas da Globo? E de repente, em dois meses aprendemos tudo o que aconteceu no cenário político durante quatro anos! Agora os petistas vão aplaudir toda e qualquer atitude da presidente, e dizer que o país está uma maravilha. Assim como os psdebistas procurarão os erros e torcerão o nariz para qualquer coisa que funcione nesse governo. Pergunto-me até quando isso...
A responsabilidade é de todos nós, sobretudo na questão da educação, da tolerância à diversidade de opiniões. Estão xingando os nordestinos, e outros dizem que não são os responsáveis diretos pelo resultado das urnas. E se são? Então o eleitorado nordestino é burro diante do eleitorado do sul porque sua opção foi outra? Então estamos absolutamente certos, e o nosso pensamento é indiscutivelmente o melhor para todos os brasileiros? Por isso não sou partidário, pois não aceito que vedem os meus olhos e me façam apenas o clone dos outros que o são, dentro de um mesmo grupo, seja petistas, psdbistas ou o raio que o parta. Penso o contrário, que bom mesmo é a diversidade lá dentro. Por que a presidente deve ter a maioria no congresso? Penso que ela deva ser uma verdadeira estrategista, exercitando a capacidade de convergir pensamentos diversos, e com eles trabalhar a melhoria do país. Até mesmo porque, se o presidente, seja ele quem for, tiver a maioria no congresso é muito mais fácil de conduzir as coisas com obscuridade e ilegalidade. Não, irmãos compatriotas, que eles sejam diversos lá dentro, e que se vigiem; pois mesmo que os interesses direto sejam pessoais ou partidários, mesmo que esses interesses não sejam os brasileiros, vai refletir a nós também, pois estaremos protegidos de qualquer absolutismo lá dentro, o que (a meu ver) só torna as cosias piores, já que os partidários não se apresentam como pessoas que concluem seus pensamentos, mas sim leitores de velhas cartilhas instituídas pelos partidos para o qual “torcem”. Não importa agora, nesse instante, quantas pessoas deixaram de votar. O país que vota, o país que quer alguma coisa, o país que se mobiliza deixou clara a sua vontade; ganhou quem o povo quis. Talvez não quem eu ou você quisesse, mas está feito. E a nós, cabe respeitar e apresentar o comprometimento de acompanhar o seu governo e torcer para que tudo corra o melhor possível. Agora é uma coisa só. Por que tanto interesse na Política em período eleitoral? Por que não

Não bastam as ruas da cidade inundadas de malditos panfletos de propaganda partidária, os carros de som que tiram a nossa paz desde as oito horas da manhã e as propagandas caras e duvidosas transmitidas obrigatoriamente em redes abertas? Não nos bastam as atitudes deles contra nossos interesses? Também nós temos que ficar uns contra os outros? Não é o suficiente a verdadeira palhaçada permitida pelo TSE na política de candidatura e na condução das eleições, também temos que coroar a nossa ignorância política, já demonstrada em nossa falta de cidadania, de responsabilidade social e de respeito com os interesses em comum?
Sim, amigos. Estou apreensivo por tudo isso. Mas estou consciente de que devo ser mais participativo na vida administrativa do meu país, do meu estado, da minha cidade e da minha rua. Não posso sujar o chão que piso e exigir respeito do meu administrador. Não posso me achar ofendido quando os adversários políticos se atacam nos debates em rede aberta, se ataco a opinião do meu compatriota, porque não é igual a minha. Quem somos nós politicamente? Creio na necessidade da busca pela resposta dessa pergunta. E não em caráter coletivo, mas sim individual. Porque não mudo o país, mudo a mim mesmo, e dessa forma contribuo para uma mudança nacional. Nossa atitude sempre importará mais que nossas ideias.

Peço a Deus muita Luz à presidenta reeleita. Que ela possa ver com mais clareza o melhor para a condução dos rumos do nosso país. E a parabenizo pela sua reeleição. Mas peço mais, e muito mais, pelo povo brasileiro. Que possamos ver com mais nitidez a consequência de cada ato político social, de cada palavra, de cada atitude. Que possamos desenvolver mais a nossa capacidade de compreensão e tolerância. Porque creio que um povo é como uma única pessoa: ele evolui primeiramente moralmente, primeiramente em caráter. Aí sim, seus pensamentos e atitudes em quaisquer assuntos são moldados nessa base, promovendo a evolução social. Não somos produtos de um meio, ele é nosso produto, sempre. Nós o fazemos, e o conduzimos da forma que mais convém às nossas prioridades. Quais são as suas?

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A MEMBRANA NUCLEAR


EM DEZEMBRO de 1978 Richard Donner encantou o mundo com a frase Você vai acreditar que o homem pode voar. Chegava aos cinemas o tão esperado "Superman - o filme", provavelmente mais conhecido como "Superman I". Era o primeiro longa metragem de uma série de quatro filmes. Aqui, o personagem imortalizou o ator; Christopher Reeve ficou conhecido no mundo todo ao vestir o uniforme azul com capa e botas vermelhas do maior herói dos quadrinhos já criado. Superman já era parte do folclore americano. Era extremamente original, e as pessoas o amaram. Não, não foram só os americanos, foi o mundo todo. Sete anos mais tarde, Wood Allen expandiu a dimensão da vida em "A Rosa Púrpura do Cairo", outro dos maiores clássicos do Cinema americano, e mundial. A bela sacada estava no coração da trama, quando o personagem de um filme de cinema literalmente sai da tela, a fim de viver no mundo real uma vida real. O filme (do filme) para. Os outros personagens questionam, pois também querem sair da tela, e um reboliço dinâmico se faz, com muito romance e bom humor. Antes, em 1981, Stieven Sipielberg propusera algo relativamente novo em "E.T. O Extraterrestre". 



São inúmeros os clássicos do gênero fictício, e tudo isso só aumentou com a virada do século. Dos livros para as telas saiu "O Senhor dos Anéis", uma trilogia  de personagens que viviam num outro mundo; a saga de Harry Potter, misturando nosso mundo com o dos personagens brilhantemente criados por J.K.Rowling; Ainda passamos pela trilogia Matrix, que fechou com chave de ouro a década de 1990, isso sem falar nos inúmeros desenhos animados que propõem a mesma coisa. Mas que mesma coisa? Afinal, o que todos esses títulos tem em comum? Seria, no mínimo curioso, dizer que o mesmo que "O Magico de Oz", "Alice no País das Maravilhas". 



E falando de Brasil, podemos ainda acrescentar os folclóricos personagens de Monteiro Lobato, ou o "Castelo Rá-Tim-Bum". Ou ainda, permanecermos lá fora e lembrarmos do incrível Mary Poppins, de 1964 - o pai da animação, Walt Disney sabia realmente o que fazia quando insistiu por mais de 20 anos que a autora dos livros, Pamela Lyndon Travers, lhe concedesse os direitos para o filme. 



Numa observação mais voltada para o fundo de todas essas histórias, chegamos sem dificuldades à conclusão de que elas propõem uma realidade diferente da nossa. Mais que isso: levam os que se propõem a conhecê-las para o mundo que elas apresentam. A humanidade precisa de coisas que as façam acreditarem numa realidade nova, que faça com que se creia em possibilidades. Coisas que construam essa realidade nova, ou que as descubram – pois ela há muito, bete em nossa porta. E isso, por uma questão de atração. Pois, ainda que num clamor interno, mudo, não visto ou compreendido, a humanidade desespera-se por uma mudança súbita; por algo que dê o pensamento de que tudo o que vivemos é realmente efêmero, e que a justiça e a verdade são axiomas. As pessoas querem crer, e creem sem o saberem, porque os caminhos traçados até aqui revelam isso. E aqui estagiamos; num mundo cheio de armadilhas que criamos – mutação das oportunidades de evolução que recebemos.

Por isso, se por um lado se encantam ao verem aquele homem de aço, voando com sua capa vermelha e fazendo justiça, frustram-se em seguida, quando se lembram de que tudo aquilo é mera ficção. A justiça real parece ficção, a ordem... Deus. Porque uma força soberana que a tudo vê, não parece
se expressar num mundo como o nosso, onde o jogo de interesses domina cada um de nós; e os mais fracos sustentam os mais fortes – que deles sobrevivem. Questão tão antigas são retomadas a cada choque novo: por que é assim? O medo da morte, a certeza gravada e inconsciente da continuidade da vida póstuma, e a certeza incrédula dela. As pessoas aceitam muito bem a proposta de uma realidade nova vinda das artes, mas guardam certa expectativa de que essa ideia tenha algo de real em sua base, para que se consiga algo importante numa ideia hoje: sustentação. Daí a importância e a responsabilidade do mundo das artes como contribuição na real evolução do nosso orbe e da humanidade.
As ficções são maravilhosas! E aí está a questão: maravilhosas demais. Mas quando colocamos isso em questão, não é a falta de veracidade da historia em si; pois sabemos que, por mais histórias que conheçamos o número das quais ignoramos será sempre maior. Isso torna mais fácil aprender com o que lemos, ouvimos ou assistimos. Muitas vezes, essas histórias podem ser reais de tal forma, que até o próprio autor ignora. Não é essa falta de veracidade que frustra o público que as recebe (pois sabem que trata-se de uma suposta ficção), mas sim as possibilidades reais de algo parecido acontecer. Em outras palavras, a sustentação. O público sente a necessidade de crer nas possibilidades da história, de se identificar com atitudes, de se encontrar vez e outra no lugar de um ou outro personagem. E engana-se quem pensa que apenas o publico infantil tem essa necessidade; os adultos também a tem, embora possam não admitir. A diferença é que a criança não se frustra quando criança, o adulto sim – aquela antiga criança. Será que deve mesmo ser o caminho absoluto das artes? Aprender criança e reaprender adulto... Ou será que já a possibilidade de uma continuidade mais visível nesse aprendizado. Geralmente quando crescemos rimos daquilo que gostávamos quando crianças. Rimos dos gnomos, dos duendes, do Papai Noel e dos contos de fadas.
Mas o que provoca essa sede tão misteriosa da humanidade? Desconfio que, a certeza subconsciente de alguma continuidade; o fato de não conhecermos tudo. Aliás, diante do que ainda está por conhecer, é bem provável que o nosso nível de conhecimento diante do universo esteja em algo próximo de... Nada. Difícil imaginarmos algo além daquilo que conhecemos e entendemos? Talvez nem tanto... quando aprendemos que conhecemos muito pouco; e, o mais importante, absolutamente... Não somos contemporâneos da Criação. Após tantos ismos que conhecemos, estamos oficialmente falando há mais de noventa anos da Escola do Modernismo. E se lá nas primeiras décadas conhecemos o doce dessa fruta, nas últimas também descobrimos o amargo em muito do néctar que mina de sua textura. A impressão que fica é de que hoje tudo pode e de qualquer jeito. Talvez seja mais que isso, talvez não seja tanto. Mas acho que estas escolas de arte porque passamos apenas vão atestando a evolução dos seres que a proclamam, e não o contrário.
E é por isso que me arrisco a dizer.

ESPIRITUALISMO é o ismo que se faz urgente, e que será não só respeitado, mas estrategicamente traçado nas obras que podem compor esse conceito. Espiritualismo. Há milhas e milhas de distancia da Religião; Espiritualismo como conceito, como fundo evolutivo em tudo o que pensamos, inclusive quando pensamos materialmente. E talvez se configure aí um trampolim nunca imaginado para o mundo das artes, inclusive para a chamada Sétima Arte. 

Embora as vozes oficiais ainda digam quem sabe ou talvez, é possível entender os flagelos e glórias do mundo, assim como as raças, civilizações, o progresso intelectual e moral dos homens, e consequentemente a evolução do planeta através da teoria da Reencarnação - de fácil compreensão na prática. Essa tese, longe de carregar alguma bandeira exclusiva (embora a ligamos direto ao Espiritismo, ao Budismo, aos Celtas etc), é antes um assunto amplamente científico, que tem resistindo ao caráter de mudanças da humanidade por milênios. Desde onde os registros da História da Humanidade alcança, povos praticavam essa ideia e nela se apoiavam para base de sua vida presente, assim como o alicerce das futuras. No fundo, sabemos que não estamos sozinhos, que somos influenciados e influenciamos bem mais que pensamos; que crescemos como verdadeiras antenas atraindo as energias com as quais nos afinamos. Podemos ajuntar aí ainda, que essa energia é responsável pela densidade do planeta, pelo ar, pela atração (positiva ou negativa) que nos rodeia, compondo assim a nossa própria vida em coautoria conosco. É, talvez para os leigos em espiritualidade, inclusive amantes das artes e da vida, tudo isso possa parecer... Fantástico demais. Ou ainda, fictício. Nesse caso, não seria interessante produzirmos ficção inspirada nas possibilidades dessa realidade, moldando assim esses trabalhos com uma base que tornasse esses trabalhos no mínimo instigantes?
Pode ser tudo tão diferente do que vemos, e tão longe do que enxergamos! É triste ver perceber que os homens acreditam-se contemporâneos da obra divina. Os homens entendem o processo de matematizar letras e poetizar números; tem concepção do nascer, viver e morrer,  assim como de entrar e sair de qualquer assunto, qualquer coisa, lugar ou visão que compete aos limites escassos do seu entendimento. Hoje, com "todo o planeta desvendado", ri-se das épocas remotas, do enfileirado de séculos que cabem em seus medíocres registros. Simplificaram linguagens, arredondaram filosofias, estreitaram conceitos e desmataram trechos importantíssimos da vida. Se ladearam de atalhos, trouxeram tudo a uma simples opinião pessoal; rebaixaram o que veem e o que não veem, o que ouvem e o que não ouvem... À simples compreensão que pôde até aqui desenvolver. Tudo parece girar em torno da silenciosa e pretensiosa máxima humana: somos o limite. E o que não conhecemos, apelidamos de "sobrenatural" ou "anormal", pois "não está na Natureza" se não podemos compreender. E daí, que tudo gira em torno de nós, e que o nosso mundo, a Terra, é o centro do universo - ironicamente como se acreditou em épocas remotas. 

Porém, o que não consegue entender (ou aceitar) no geral, é que esse mesmo ser humano, tão sedento por progresso, o desrespeita na maior acepção da palavra, quando crê que ele - homem - seja o ponto final. 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

-1 O MUNDO É DAS ANTÍTESES

Embora tenha  lançando este blog em plena luz do dia, ele será atualizado sempre à meia noite em ponto, sempre que a terça virar quarta. Obrigado pela visita; entrem e fiquem à vontade!


ADOTEI essa frase desde quando, em 2008, escrevi um texto teatral com o mesmo nome para três atores (dentre eles, eu). Não sei se a frase é minha ou não. Não me lembro de tê-la ouvido algum vez,  mas ao mesmo tempo me soa como aqueles ditados clássicos que parecem ter nascido com a humanidade. Enfim, não é um detalhe que me preocupa, de fato. Mas a cada dia que passa,sinto que fui mais feliz na formação do texto, ou na escolha da frase, mais acertadamente falando. porque pra todos os lados que olho enxergo esse enxergar. A impressão que tenho com o que a frase sugere, Parece que o mundo é das antíteses em tudo o que edificamos nele. E a duvida que mais assola é a seguinte: Quem seria menos real? Nós ou este mundo que criamos? Seríamos enganosas lápides das ficções de uma realidade, ou incontestáveis estátuas monumentais edificando realidades numa mera ficção? Enfim, estam

Parece tenso e dramático quando penso assim, mas depois relaxo. Porque se o mundo é das antíteses, certamente há um lado cômico em tudo isso para equilibrar os fatos (coincidência ou não, o texto a que me referi é uma comédia).
Compus uma letra de musica que oscila um pouco no assunto; convido vocês a lerem comigo:


QUAL É A HISTÓRIA

Alguém estava de olho em tudo / E mesmo assim se surpreendeu
Tudo mudou tão de súbito / E ela n]ao entendeu
Cada minuto é sério/ Mesmo que você ria
A vida numa comédia / E você numa histeria...

Estamos devagar / E o remador não quer remar
Ansiosos por água / Sem saber nadar
Estamos em alto mar / Deixando a vida nos levar
Se a Terra não for redonda / Onde vamos parar?

Claro que o escuro é óbvio / Tanto quanto a confusão do claro
O dia tão oblíquo / O quanto a noite dissimulada
Mas qual é a história / Onde você estava?
A vida não é novela / Facilmente calculada...


Todos comemoraram quando o Brasil foi aceito como país sede da Copa do Mundo deste ano, agora
a multidão protesta enfurecida.Mas este é só um exemplo atual, vejamos alguns os permanentes:

PUBLICIDADE. A publicidade é um magnetismo inteligente e estúpido ao mesmo tempo. É muito curioso que determinadas marcas vendam mais por serem muito conhecidas... Aí o cara vê o Felipão fazendo comercial de carro, e o carro absurdamente vende mais! O Felipão até pode gostar do carro, mas está fazendo a propagando porque esta recebendo pra isso. A pessa compra pela alarde do anuncio, mas também sabe que o Felipão só tas falando ali porque foi contratado, e mesmo assim ela compra porque o viu anunciando!

POLÍTICA.O sujeito defende seus interesses pessoais ao invés de defender os da população que o elegeu. Quando faz a propaganda eleitoral, faz discurso socialista e alinhado, beija crianças na rua, acena pras pessoas, arregaça as mangas numa obra (pela qual provavelmente ele nunca mais vai passar) e pede o nosso voto. O mais engraçado: é que ele recebe esses votos! O outro candidato, aquele que não faz a bendita propaganda, não tem a menor chance de se eleger num páreo como este, completamente injusto.

SOCIAL.A questão social bate pesado. Na nossa edificada sociedade brasileira como em muitíssimas por aí) nós pagamos para alguém cuidar do que é nosso, literalmente isso. Quem tem carro paga IPVA e dirige em estradas esburacadas de péssimas condições e com poucas (ou quase nenhuma) soluções de transito; para imposto para ter garantida a sua segurança, mas paga o seguro do carro - porque se roubarem seu carro o Governo, aquele a quem ele deu o dinheiro, não vai resolver sua questão.  O mesmo se dá com as escolas que pagamos, e que ainda assim muitos repagam, apelando para o estudo em escolas particulares. Na saúde, que pagamos e não temos o que usufruir, entre tantos exemplos. Bem, se isso é o que chama de sociedade, é complicado, porque tem sócio ganhando muito e sócio ganhando nada. "Sociedade" já é uma termo bem antagonico para a questão.

EU, TU, ELE, OS OUTROS. Mas um dos dados mais curiosos dessa arsenal de antíteses, é o personagem central de tudo: eu. Você. Ele e os outros. Somos pura antítese! Aquele cara que acorda de manhã cedo em casa não é o mesmo que sai pelo portão quando encontra um vizinho, ou o mesmo que vai a uma entrevista de emprego, ou que vai a um primeiro encontro romântico... O jeito que nos vestimos, que falamos, que agimos é, ainda que inconsciente, formatado de acordo com a circunstância. Pura metalinguística!

A questão do nosso intimo também prova a tese. Quem somos realmente? Como somos, de fato? Ou como estamos ultimamente? Depende um pouco. Do dia, da companhia, do tempo, da saúde etc. Um dia aqui, outro ali. Variações de humor, sei lá... Podemos ser tantos em um só! Podemos tentar atingir uma meta ousada de sermos uma pessoa só. Um cara chamado Humberto Gessinger compôs uma canção chamada Não é Sempre numa banda chamada Engenheiros do Hawaii - que fala muito dessa variação;




Na peça teatral  O Mundo é das Antíteses, escrevi os seguintes trechos:

"Somos quem não conhecemos, agimos diferente do que pensamos e pensamos que somos quem achamos que deveríamos ser. Conversa!"

"Somos pura antítese! Nossas teorias não se afinam com nossos atos, nem a nosssa prática com nossas próprias leis! Somos esquisitos, enh?

"Somos o meio de três: quem desejaríamos, geralmente quando estamos prontos pra dormir; quem achamos de que deveríamos ser, no trabalho por exemplo; e quem somos realmente: no ônibus, na rua, em casa, no mercado, enfim... aqui."

"O desespero de encontrar uma forma de se espalhar  com cuidado para se esconder; para se esquivar das evidencias que denunciam comportamentos, atos e atitudes. Enfim, o resultado de tudo aquilo que começa na mente: logo penso, logo existo; logo ajo, logo fede."


Eu, Valdeíde Lopes e Fabyo Carvalho, em foto de divulgação do espetáculo 
O MUNDO É DAS ANTÍTESES, São Paulo, 2008.


CLARO que a tudo o que se refere ao texto cômico ou o texto desse blog está falando do ser humano com um todo, ele é a grande atração para toda e qualquer antítese, não é mesmo? Não é mesmo? Não? Ótimo, então me diz o que você pensa também, que eu adoraria saber!


ABRAÇO FRATERNAL A TODOS